Quem tem lombalgia pode ter direito a benefícios por incapacidade?

Sim. Se a sua dor na lombar já interfere no seu trabalho e diminui sua força ao longo do dia, existe a possibilidade de receber benefícios por incapacidade no INSS. Isso vale mesmo quando o diagnóstico parece simples no papel.

Ao longo deste texto, você vai entender de forma clara como provar sua limitação, quando existe incapacidade e quais benefícios podem garantir renda durante a recuperação ou quando não há mais chance de retorno ao trabalho.

Ao final da leitura, você vai saber exatamente qual é o seu direito.

Saiba mais durante esse texto:

1. Quais benefícios o INSS oferece para quem tem lombalgia?

Você pode ter acesso a auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, auxílio-acidente ou reabilitação profissional, dependendo da intensidade da dor e do impacto na sua rotina.

Esses benefícios existem para proteger quem não consegue exercer suas funções por causa de uma limitação física. Não é um favor do INSS. É um direito previsto em lei.

Veja cada um deles.

Auxílio-doença

É concedido quando a lombalgia te impede de trabalhar por um tempo determinado. Quando o afastamento supera quinze dias, já é possível solicitar o benefício.

Para receber o auxílio-doença, além de comprovar a incapacidade temporária, você deve ser segurado do INSS e ter contribuído pelo menos por doze meses (salvo exceções como doenças graves listadas na Portaria Interministerial MTP/MS nº 22 de 2022).

Auxílio-acidente

O auxílio-acidente é um benefício pago pelo INSS quando você sofre um acidente ou doença que deixa sequelas permanentes e reduz sua capacidade de trabalhar. 

Mesmo com a limitação, você continua exercendo suas atividades, embora com mais dificuldade ou precisando de adaptação. Para receber o benefício, é preciso demonstrar que a sequela é definitiva e compromete o desempenho da função habitual.

No caso da lombalgia, quando ela surge em razão de um acidente (seja de trabalho ou não) e gera uma limitação permanente, você mantém a atividade, mas tem direito a essa compensação financeira. 

O pagamento pode, inclusive, ser retroativo, dentro do prazo de até cinco anos.

Aposentadoria por invalidez

A aposentadoria por incapacidade permanente (nome adotado após a Reforma da Previdência de 2019) é um benefício concedido caso você não tenha condições de continuar trabalhando de forma nenhuma e sem possibilidades de melhora.

Estamos falando de um afastamento definitivo, aplicado quando a dor ou a doença é tão intensa que impede o exercício de qualquer atividade profissional, sem perspectiva de reabilitação para outra função.

Para conseguir o benefício, é importante comprovar a incapacidade total e permanente para o trabalho, ser segurado do INSS, ter contribuído por no mínimo 12 meses (salvo caso de doenças graves) e não estar recebendo auxílio-acidente.

Reabilitação profissional

A reabilitação profissional do INSS é um programa oferecido aos segurados que, por motivo de doença ou acidente, perderam total ou parcialmente a capacidade de exercer sua atividade habitual, mas ainda têm condições de trabalhar em outra função. 

Para participar do programa, você deve ser encaminhado pela perícia médica.

O objetivo é te ajudar a retornar ao mercado de trabalho com segurança, por meio de cursos, treinamentos, adaptações de função e acompanhamento especializado. 

Durante esse processo, você continua recebendo o benefício por incapacidade. É um procedimento obrigatório quando determinado pelo INSS ou pela Justiça, e o segurado precisa participar para não correr o risco de ter o benefício suspenso.

2. Quando a lombalgia se torna grave?

A gravidade não está no nome da doença. Está no que ela provoca no seu dia a dia. A lombalgia só é considerada grave quando interfere na sua capacidade de viver e trabalhar.

Se levantar, caminhar, carregar peso, dirigir ou até sentar se tornam tarefas difíceis, isso já indica incapacidade funcional. 

Muita gente acredita que é apenas uma dor nas costas, mas quando ela limita movimentos, altera a rotina e tira autonomia, se transforma em um problema sério e pode abrir caminho para benefícios.

3. O que é lombalgia e por que ela interfere tanto?

Lombalgia é a dor localizada na região baixa da coluna, área responsável por sustentar o peso do corpo e participar de praticamente todos os movimentos. Quando essa região dói, tudo ao redor parece parar junto.

A dor pode ser aguda, quando surge de repente, ou crônica, quando se prolonga por meses ou anos. 

Quando ela passa a limitar atividades simples como caminhar, subir escadas, dirigir ou permanecer muito tempo sentado, o desempenho profissional fica comprometido. E é exatamente esse impacto que o INSS avalia.

4. Quais são as causas da lombalgia?

A lombalgia pode ter diversas origens. Entre elas estão:

  • Esforço repetitivo;
  • Má postura;
  • Hérnia de disco;
  • Desgaste da coluna;
  • Estresse físico ou emocional;
  • Quedas;
  • Excesso de peso;
  • Inflamação;
  • Acidentes;
  • Movimentos repetitivos no trabalho.

 

Identificar a causa pode ajudar, mas não é o fator decisivo. O que realmente importa para o INSS é o quanto essa dor compromete sua vida e suas tarefas.

5. Existe tratamento para lombalgia?

Sim, existe tratamento e ele deve fazer parte do seu processo. Mostrar que você está cuidando da sua saúde reforça sua credibilidade diante do INSS.

Os tratamentos mais comuns incluem:

  • Fisioterapia;
  • Medicação;
  • Fortalecimento muscular;
  • Alongamentos;
  • Correção postural;
  • Terapias manuais;
  • Reabilitação.

 

E não há problema algum em solicitar benefício enquanto realiza tratamento. Isso não interfere no reconhecimento da incapacidade.

6. Quem tem lombalgia pode trabalhar?

É possível trabalhar somente quando a dor não interfere na função exercida. Se a dor for leve, é recomendado ajustes ergonômicos e algumas adaptações no ambiente de trabalho.

Se a lombalgia te impede abaixar, agachar, caminhar, carregar peso, dirigir, sentar ou permanecer em pé por muito tempo, o INSS pode reconhecer incapacidade laboral.

Quando a dor começa a comprometer o trabalho, é hora de buscar afastamento.

7. O que significa o CID M54.5?

O CID M54.5 é o código usado pelos médicos para indicar lombalgia. Ele aparece em exames, laudos e na perícia, mas não comprova incapacidade sozinho.

Duas pessoas podem ter o mesmo código e viver situações completamente diferentes. O CID identifica o diagnóstico, mas o que define o direito é o impacto da dor na rotina e na capacidade laboral e isso deve ser constatado na perícia médica.

8. Quem tem lombalgia crônica tem direito?

Sim. Quando a dor permanece por meses ou anos, isso mostra que o problema não melhora com o tempo e aumenta as chances de reconhecimento da incapacidade.

Nesses casos, podem ser concedidos:

  • Auxílio-doença;
  • Aposentadoria por invalidez;
  • Auxílio-acidente;
  • Reabilitação profissional.

 

Se a dor se tornou constante e afeta sua vida todos os dias, isso tem peso significativo na avaliação.

9. Como comprovar lombalgia no INSS?

A comprovação é feita com documentos que mostram a dor e suas limitações. Entre eles estão:

  • Exames de imagem;
  • Laudos detalhados;
  • Prontuários;
  • Relatórios de fisioterapia;
  • Atestados médicos;
  • Fichas de atendimento;
  • Evolução do tratamento.

 

A perícia analisa todo esse conjunto para identificar como a dor afeta seu trabalho. Se o INSS negar, ainda é possível recorrer à Justiça, onde um médico independente realizará nova avaliação.

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10. Quais documentos levar para a perícia?

É importante levar tudo que ajude a contar a história da sua dor. Isso inclui:

  • Documentos pessoais (RG e CPF);
  • Carteira de trabalho ou carnês de contribuição;
  • Exames da coluna;
  • Atestados atualizados;
  • Laudos antigos e recentes;
  • Relatórios de fisioterapia;
  • Comprovantes de tratamento;
  • Comunicação de Acidente de Trabalho, quando aplicável.

 

Quanto mais completo estiver o conjunto de documentos, maiores são as chances de aprovação.

11. Como funciona a aposentadoria por lombalgia?

A aposentadoria, em caso de lombalgia, é concedida quando você não consegue mais trabalhar devido às dores e fica incapacitado de forma permanente para qualquer função. Para receber aposentadoria por invalidez, você cumprir três requisitos:

  • Qualidade de segurado: significa estar vinculado ao INSS, seja mantendo as contribuições em dia ou ainda protegido pelo período de graça.
  • Carência: exige, em regra, o mínimo de 12 contribuições mensais, salvo nas situações de acidentes de qualquer tipo e em algumas doenças graves previstas em lei, que dispensam esse requisito.
  • Incapacidade temporária: é necessário demonstrar, com documentos médicos e confirmação na perícia do INSS, que o trabalhador está impossibilitado de exercer suas atividades por mais de 15 dias seguidos.

É importante se encaixar em todos os critérios para ter seu benefício concedido.

12. Como é calculado o valor da aposentadoria por lombalgia?

Existem duas formas de calcular a aposentadoria por invalidez, e o método utilizado depende de quando você completou os requisitos para receber o benefício:

  • Se preencheu os requisitos antes de 13/11/2019;
  • Se preencheu os requisitos a partir de 13/11/2019, data em que a Reforma da Previdência começou a valer.

 

Antes de 13/11/2019

Quem já tinha direito à aposentadoria por invalidez antes da Reforma mantém o cálculo antigo. Nesse caso:

  • Calcula-se a média dos 80% maiores salários de contribuição desde julho de 1994;
  • O valor encontrado será o valor final da aposentadoria.

 

A partir de 13/11/2019

Para quem completou os requisitos depois da Reforma, vale o cálculo novo:

  1. É feita a média de todos os salários de contribuição desde 1994 (ou desde o início das contribuições);
  2. Sobre essa média, aplica-se a regra:

60% + 2% para cada ano que ultrapassar:

15 anos de contribuição, no caso das mulheres;
20 anos de contribuição, no caso dos homens.

Vamos para um exemplo?

Rubens trabalhou como eletricista por 23 anos. Por conta de uma lombalgia, ele ficou totalmente e permanentemente incapaz para qualquer atividade, sem chance de reabilitação.

Sua média salarial ao longo da carreira foi de R$ 4.000,00.

Como Rubens tem 23 anos de contribuição, ele ultrapassa em 3 anos o mínimo de 20 anos exigidos para homens. Então, o cálculo é:

  • 60% + 2% × 3 anos = 66%

  • 66% de R$ 4.000,00 = R$ 2.640,00

Rubens terá direito a R$ 2.640,00 de aposentadoria por invalidez.

13. Qual é o valor do auxílio-doença para lombalgia?

O valor varia conforme a contribuição. 

É importante saber que o valor que você vai receber enquanto estiver afastado, não é o mesmo valor do seu salário atual. 

O INSS calcula uma média dos seus salários e o cálculo funciona assim:

Primeiramente, o INSS calcula a média das contribuições que você fez. Sobre essa média, o INSS aplica 91%. É esse percentual que a lei determina para ajustar o valor do auxílio-doença.

Depois, o INSS também calcula a média dos seus salários de contribuição dos últimos 12 meses. Isso ajuda a corrigir possíveis variações na sua renda recente e torna o cálculo mais justo.

Depois de fazer os dois cálculos (91% do salário de benefício e média dos últimos 12 meses), o INSS compara os resultados e escolhe o valor que será usado no pagamento do seu auxílio-doença. 

Vamos para um exemplo simples?

Luana, recepcionista, precisou se afastar em março de 2023 por complicações de lombalgia. Seus últimos 12 salários foram os seguintes:

  • 4 meses: R$ 2.300,00
  • 4 meses: R$ 2.900,00
  • 4 meses: R$ 3.200,00

    Total: R$ 33.600,00
    Média: R$ 33.600,00 ÷ 12 = R$ 2.800,00

 

Encontrado o valor da média dos últimos 12 salários, aplica-se os 91%:
R$ 2.800,00 × 0,91 = R$ 2.548,00

Por último, o INSS avalia os limites do salário mínimo vigente e do teto:

  • Salário mínimo 2025: R$ 1.518,00
  • Teto do INSS 2025: R$ 8.157,41

 

Como R$2.548,00 está dentro desses limites, esse será o valor que Luana receberá enquanto estiver afastada.

14. Conclusão

A lombalgia pode sim gerar direito a benefícios por incapacidade. Agora você sabe como o INSS avalia, quais provas são importantes e quais opções existem quando o corpo não acompanha mais as exigências do trabalho.

Se você convive com essa dor todos os dias, existe um caminho. Você não está sozinho. E tudo começa por conhecer seus direitos.

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Mota e Silva Advogados

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